Uma vez perguntei a um amigo, que respeito os ouvidos, o que ele pensava sobre o Cordel:
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-Há Mither, o cara é muito desafinado, não gosto!
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Aquilo me intrigou porque vinha de uma pessoa que ouvia Pink Floyd, e quem ouve Pink Floyd ouve passarinhos misturados com sinos, aquelas coisas eletrônicas, explosões, efeitos, gritos, transitoriedade de ambientes caóticos para melódicos e suaves, ouve a transformação do que em uma tradição seria visto como ruído, para uma informação musical, percebe a ampliação do universo, a dilatação da linguagem. Portanto deveria estar pronto para o Cordel.
Vejamos o que digo no clip de Mademoiselle Nobs:
Mas realmente o Cordel tem uma poética diferente. Apesar de dialogar em algum nível com esse código amplificador, do qual o Pink Floyd faz uso, o Cordel tem muito dos mouros, da tradição dos cantadores, dos tambores, afro em muitas pegadas, da rica literatura sertaneja e é uma banda de afirmação nordestina, brasileira, com um apelo mais visceral, cheirando a messiânico. Outro universo. Outra estética.
Na década que passou o Cordel significou uma melhores expressões artísticas que tomei contato. Me trouxe de volta a sensação que tive com alguns discos de que "isso está acontecendo!!" de vibrar, de sentir a vitória daqueles que estão no subterrâneo, lapidando a mais bela força do que há de vir, de vê-los e reconhece-los vencedores na luz. Amém.
