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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

50º alvorecer - Diálogos (2º edição)


Dia 11 de Dezembro acontecerá em Ilhéus o lançamento da 2º edição de Diálogos. O livro, primoroso em sua seleção, traz um panorama da nova poesia grapiúna.
Tive a honra de ser convidado a participar com alguns haikais na 1º edição do livro organizado por Gustavo. Eram cinco haikais, agora serão sete.

Fomos agraciados, na primeira edição, com uma verdadeira aula no prefácio escrito por Ildásio Tavares, agora teremos outro ilustre prefaciando a segunda edição: trata-se do mestre Jorge de Souza Araújo.

Depois dessa, deixo a palavra pra Daniela.

Não digo mais nada!



"Boas novas nas terras do sul da
Bahia!

Lançamento da 2a. edição da
antologia DIÁLOGOS: PANORAMA DA NOVA POESIA GRAPIUNA, organizada por Gustavo Felicíssimo,
com poemas de Daniela Galdino, Piligra, George Pelegrini, Rita Santana, Mither
Amorim, Noelia Estrela, Andre Rosa, Heitor
Brasileiro, Edson Cruz, Fabrício Brandão...

Programação para 11 de dezembro de 2010:
- Lançamento da
antologia, na Academia de Letras de Ilhéus, com os professores Jorge Araujo e
Aleilton Fonseca (UEFS), as 18:30. O livro será vendido a R$ 20,00.

- Encerramento
do projeto Rock e Poesia, com Infected Minds e Rubem Garcia 

- Jam Session,
com as bandas e poetas do Rock e Poesia II, a partir das 21:30, na Casa dos
Artistas, Ilhéus.

Conto com a sua presença! Em
breve, material oficial de divulgação."

domingo, 7 de novembro de 2010

46º Alvorecer - Carência



meu amor
sai do computador

deixa o destino tocar leve
pousa os seios
em minhas mãos


foto: autor desconhecido

sexta-feira, 30 de abril de 2010

43º Alvorecer - Haikai e as lições naturais(parte20)

que são as borboletas
senão a poesia
perdendo-se no ar?

Raphael Coutinho

domingo, 6 de setembro de 2009

36º alvorecer - Guimarães Rosa (Ritmos Selvagens)

foto: autor desconhecido


Ritmos Selvagens


O pica-pau, vermelho e verde,
paralelo ao tronco
branco de papel de uma mirtácea,
como um poeta , que desde a madrugada
vem fazendo o retoque de seus versos,
martela o bico , na casca da árvore,
o poema dos índios caipós:

--“Índios escuros, das terras fechadas,
que ninguém pisou,
dos chapadões a meio caminho dos grandes rios,
broncos e brutos, sem arcos nem flechas,
rompem cabeças de missionários a cacetadas,
fazem tremer, fazem correr as outras tribos,
voam no campo atrás dos cascos dos veados,
matam veados só com pauladas,
caiâmu-poguê-dje –ipô!...”

Depois de pendurar num ramo de cajueiro
a casa de cômodos
em cartolina cônica e amarela,


os estúrdios marimbondos-de-chapéu
saem dos alvéolos e fermentam no ar,
num remoinho de ferrões e de asas,
zumbindo o hino dos índios das matas:

--“Bem escondido entre as ramadas da beira d’água,
como curta e grossa jibóia quieta,
toda enroscada nas penas lindas de uma arara
que devorou,
o nhambiquara, de rosto escuro, zingomas pintados
a jenipapo,
fica dez horas, todo encolhido, de bote armado,
os olhos vivos, o arco pronto, muita paciêcia,
e trinta flechas envenenadas ...”

O paturi, no alto,
deixa escapar do bico a piaba,
que desce no ar como uma gota
de mercúrio vivo,
e grasna para a lontra, que avança n’água,
em linha reta, como um torpedo,
noticias novas que trouxe do Xingu:


--“O bacari, belo e tranqüilo,
com o arco vermelho da guarantã,
parece mudo, parece bobo, olhando a água,
e joga a flechada no rio crespo, fisgando o lombo
de um surubi...
E fica triste, e fica bravo, só porque a ponta da flecha
[longa
pegou dois dedos mais pra baixo, no dorso liso do
[peixe de ouro,
que ele nem viu...”

Triste tucano, de bico armado,
descompensado , maior que o corpo,
chega voando e toma de assalto
um dos fortins da terra vermelha
que as térmicas vão escalonando pela campina,
e, bem na grimpa do cocoruto,
desprende a queixa dos índios do sul:

--“Os índios moles , sujos e tristes,
que não têm redes, que falam manso e dormem no
[chão,
e pulam batendo com as mãos nas pernas
[ensaguentadas


das ferroadas das muriçocas,
e cantam semanas , tirando a carne dos esqueletos, o
[bacororo,
grandes batoques nos beiços grossos, sempre tremendo,
pobres bororos,
sentem a onça a três quilômetros, na mata espessa,
bem antes da fera os farejar...”

E o jacaré crespo, de lombo verde, de papo amarelo,
ensina à arara,
toda azul, de patas pretas , de pálpebras pretas,
que ensina o gavião, que passa no vôo, fino e pedrês,
que ensina a um bando, que vai de mudança, de
[maracanãs,
o canto das índias dos carajás:

--“Carajás das praias do Araguaia,
meio vestidas, meio peladas, mal domesticadas,
mulheres roxas, de nariz chato,de pés enormes,
trincando piolho nos dentes brancos,
índias pesadas, quase na hora de dar à luz,
vêm nas pirogas, em troncos bambos, finos , compridos,
com cachos de meninos , curumins vivos, equilibrados,
dependurados,



e as canoinhas passam ,à flor das águas , como coriscos,
à frente dos ventos, batendo piranhas, vencendo asas e
[pensamentos
Araguaia abaixo, do Caiposinho até conceição...”

O dia inteiro, as águas ouviram,
e as matas entederam,
as vozes que o vento vai levando
para oeste, para longe, para alem de Culuene,
onde o sol se apaga , como a fogueira da última taba,
onde os cocares dos buritis pendem imobilizados,
e o rio marulha a canção dos guerreiros
que vão desaparecer...

(texto: Guimarães Rosa)