segunda-feira, 16 de março de 2009

22º alvorecer - Enlouquecido

Mesmo cercado pelo amor de minha esposa, filhos, pais, parentes e amigos e tendo passado espremido pelo filtro dos tempos chegando inteiro até aqui, devo confessar: fali minha esperança, minha auto-estima!

Não quero alimentar o desespero nos outros, me tornar um leito caudaloso de desgraças que traga a todos que atravessam meu caminho; não reclamo a desafortunada vida! É minha solidariedade excessiva, utopicamente crente, comunista, boba, aliada a uma incapacidade de análise, de encadeamento dos fatos, que me irrita .
Estamos, sem exceção, expostos ao engano, à trapaça, à soturna lascívia feroz que nos arranca a paz e nos gasta a beleza do mundo. Mas analisando tamanha humilhação, verás que o fato que me ocorreu é coisa que fartura a descrença do indivíduo.

Observe friamente os acontecimentos, veja se não tenho razão:

Cheguei à Mangabinha faz sete meses, visando alcançar autonomia econômico-financeira, com o funcionamento de uma mercearia. Abertas as portas, as pessoas daqui, baianos exemplares, vieram com sua curiosidade conhecer o lugar, arrumar conteúdo para os fuxicos que nos une e distrae. Passada a primeira semana, já tínhamos inclusive uma cadela vira-lata tomando conta da porta em meio ao furdúncio das crianças comprando doce. Tudo conspirava a formação de um cenário romantissíssimo.

Foi nessa época que conheci Uguinha. Uguinha é uma moça baixa, atarracadinha, cabelo curto, bunda enorme, doida, doida mesmo, doida daquelas que não falam coisa com coisa. Tem uma risada muito engraçada, uma mistura de grito com gargalhada, que fica mais cômico ainda com a aparente falta de motivo pra tamanho transbordamento de alegria.
Pois então... foi essa moça que me enganou por seis meses!
Na primeira vez que entrou no mercadinho, me fez uma porção de perguntas:
- De quem é esse menino?
Meu e de Brisa
- Quem é aquela mulher que estava aqui? (gargalhada)
Brisa
- Cê é casado com ela, é?
Sou
- Você mora onde? (gargalhada, mão na boca, balanços... a mulher quase se estrebuchou no chão de tanto rir)
Segundo andar
Por aí eu já tirei que ela era doida, as outras visitas só fizeram confirmar minha primeira impressão.
Um dia Uguinha me apareceu dizendo que não estava se sentindo muito bem, que tinha vomitado e que estava um pouco tonta. Foi aí que reparei sua barriga oblíqua:
- Cê tá grávida, Uguinha?
Era a segunda semana de funcionamento do comércio e ela já tinha uma barriga de cinco pra seis meses de gestação. Quando fiz a pergunta, ela me lançou uma expressão, filha duma mãe, uma expressão tão descarada, mas tão descarada... levantou o rosto lentamente, botou uma risadinha no canto da boca e largou um "tôôô" que chega deu pena da miserável!
Daí em diante, toda vez que Uguinha chegava era uma história: e que o namorado fez isso, e que a sogra fez aquilo, e que a enfermeira demorou para atender, e que o ex-namorado estava com ciúmes, me explicava porque preferia um e não o outro, chorava, copiosamente, chorava... um suplício, meu deus!
Sempre preocupado com o bem estar das grávidas no mundo, puxava cadeira, dava atenção, água, pedia para que ela não se exaltasse, perguntava se estava se alimentando direito, dava corretivo nos meninos zoadentos... ela esbuguelava o zóio em mim, ficava como se estivesse vendo um bicho estranho e distante, esmiuçando meus movimentos. Dava vontade de perguntar: Tá viajando é Uguinha? Mas ficava na minha, por conta do estado sensível dela. Brisa já havia fechado a cara pra Uguinha fazia tempo, e vivia me dizendo que a moça estava afim de mim.
Funcionamos o mercadinho por sete meses. Dois dias antes de passarmos o ponto, Uguinha atravessou na porta gritando com Consul, outra figura, que estava longe, conversaram alguma coisa e Uguinha danou a rir.
Foi nessa hora que descobri tudo, impressionante!
A barriga de Uguinha continuava no mesmo lugar!
Fia da peste!

3 comentários:

Translúcida disse...

Pense numa pessoa se mijando de rir...veiii
Brisa deve deve querer ter dado umas pauladas nessa figura rpa
Adorei os haicais tbm...
abraços
saudade

Brisa Aziz disse...

huahauhau...
rapaz, pauladas eu num ia dar pq já me liguei q era doida, mas... pense você num homi com sangue pra doido...
\os doidos passam pelo Jardim do Ó já tomando o rastro de Mither, e na mercearia, já viu... entravam e faziam a festa.
Peçam pra Mither contar a história de Di Jah... um maluco que, dizendo ele, praticamente inventou o kung fu e ficava querendo ensinar Mither a jogar capoeira kkkk

Pensadora disse...

KKKKKKKKKKKKKKKK
OHH COMEDIAA...
TOMORRENDODERIR*
ADOREI